CHAMADA PARA ARTIGOS | Ano 2026 - Número 40 (jan-jun)
CHAMADA PARA ARTIGOS – REVISTA MEDIAÇÃO
Ano 2026 - Número 40 (jan-jun)
Data limite para envio de artigos: 15 de abril de 2026
Publicação do dossiê: 30 de junho de 2026
TEMA DO DOSSIÊ
Comunicação Organizacional, Tecnologias Emergentes e Sociedade: políticas e disputas na contemporaneidade
Convidamos a comunidade acadêmica em Comunicação, Artes, Letras, Educação, Direito e áreas afins a enviar artigos para o número 40 da Revista Mediação, cujo dossiê temático versa sobre “Comunicação Organizacional, Tecnologias Emergentes e Sociedade: políticas e disputas na contemporaneidade”.
A sociedade, como um composto dinâmico, abriga organizações que não se restringem a empresas, mas abarcam grupos, causas, modos de mobilização que atuam como agentes das/nas relações sociais. São organizações que se movimentam e coexistem nas ambiências conectadas com seus sistemas, processos, estruturas, meios e linguagens acionando termos como Revolução, Evolução e Disrupção para referenciar o ecossistema sociotécnico contemporâneo. Sistemas e ferramentas de Inteligência Artificial Generativa (IAG), tecnologias autônomas, grandes bancos de dados e algoritmos complexificam a relação das e entre as pessoas e organizações.
Nesse contexto, a onipresença das tecnologias emergentes transcende a mera adoção de ferramentas técnicas, sinalizando mudanças paradigmáticas nas formas de produzir sentido, de gerir vínculos e de exercer o poder, sobretudo nas relações organizacionais. Os fluxos de práticas e discursos mercadológicos em torno destas tecnologias merecem análises críticas, tanto por parte do meio acadêmico quanto das organizações.
No campo da Comunicação, sobretudo nos estudos que buscam uma interface com as organizações, recentes produções científicas dedicam-se a problematizar impactos, sistemas generativos e uso de dados no contexto da Inteligência Artificial Generativa e das plataformas. É preciso dar continuidade e aprofundar as pesquisas considerando os desafios de se pensar a Comunicação Organizacional na sociedade para além de uma dimensão empírica. A associação mútua entre os fenômenos sociotécnicos contemporâneos e as interfaces que dialogam com os públicos, com as organizações e com a sociedade operam em redes de relações complexas e assimétricas.
Assim, a articulação entre conceitos advindos da Comunicação Organizacional, as práticas e perspectivas sobre as materialidades, infraestruturas lógicas e físicas das tecnologias emergentes, podem originar estudos teórico-metodológicos que não se restrinjam à compreensão de abordagens empíricas e produtivas sobre tal realidade, promovendo uma leitura interdisciplinar, crítica e analítica dos cenários sociotécnicos vigentes.
Visto que tais pontos acionam vieses relacionados aos modos de convivência, regulação, práticas e valores da sociedade, este dossiê está aberto a receber artigos que ampliem a discussão trazendo atualizações para além dos modos de funcionamento e vivência com as tecnologias emergentes. Ainda, é preciso considerar a afetação do capitalismo no contexto tecnológico para enfatizar a importância dos mecanismos de resistência e de busca pela soberania digital frente às formas de sujeição que colocam produtores e consumidores de informação em uma contínua digitalização da vida.
O conceito e o papel social da tecnologia assumem uma importância que é ressignificada pela tríade homem, máquina e organizações. Em um ritmo acelerado, estes elementos transitam em uma sociedade que valida a efervescência de estratégias e técnicas de poder propagadas nas ambiências digitais. Estimula-se, assim, a construção de uma visão ampliada sobre a tecnologia que considere seus pressupostos políticos, econômicos e sociais não neutros e sem a adoção de uma perspectiva determinista.
Nesse sentido, este dossiê, intitulado “Comunicação Organizacional, Tecnologias Emergentes e Sociedade: políticas e disputas na contemporaneidade”, pretende discutir como a Comunicação Organizacional articula este contexto às dimensões da vida em sociedade. Propõe, dessa forma, um espaço de interlocução para pesquisas concluídas ou em desenvolvimento com reflexões teórico-metodológicas e relatos que investiguem as tecnologias emergentes como um dispositivo de controle e de produção de subjetividades, explorando as tensões entre a automação algorítmica e a natureza humana da comunicação. Seu objetivo é trazer investigações e reflexões que questionem as interrelações sociopolíticas frente aos desafios sociotécnicos que atravessam os fenômenos no campo da Comunicação Organizacional e áreas afins.
Apresentamos a seguir uma lista sugestiva de tópicos bem-vindos – mas não exclusivos – para submissão a esta edição da Revista Mediação.
Sugestão de tópicos a serem abordados:
- As tecnologias emergentes como dispositivos de poder e os novos nexos estabelecidos pelas big techs e pelas lógicas algorítmicas entre sujeitos e organizações, reforçando processos de controle e sobredeterminação funcional.
- Usos e apropriações das tecnologias emergentes contidas em plataformas, em sistemas de Inteligência Artificial Generativa, em grandes bancos de dados e em algoritmos complexos nos processos comunicacionais em contextos organizacionais.
- Modos de funcionamento, conceitos, metodologias e/ou objetos que promovam reflexões e debates acerca da relação entre a comunicação em contextos organizacionais e as ferramentas de Inteligência Artificial Generativa, tecnologias autônomas, grandes bancos de dados e algoritmos.
- Dilemas morais, éticos e legais no âmbito da Comunicação Organizacional relacionados ao manejo de dados, à privacidade, à opacidade dos algoritmos, à dataficação e ao uso das plataformas de mídias sociais digitais.
- Impacto no trabalho e nas relações em decorrência da automação do pensamento e da linguagem afetando as identidades, a consciência reflexiva e as práticas discursivas no ambiente organizacional.
- O uso de metodologias de pesquisa em ambiências digitais aplicadas à Comunicação em contextos organizacionais, caminhos metodológicos e estratégias para pesquisar algoritmos e plataformas.
- Desdobramentos das ferramentas de Inteligência Artificial Generativa na formação e nas competências dos profissionais de comunicação bem como as consequências, implicações, riscos e problemáticas.
- Sistemas generativos e afins e suas utilizações e efeitos no dia a dia profissional da área de Comunicação Organizacional.
- Aspectos de transformação de identidades, branding, e narrativas por meio do uso de avatares, sistemas automatizados para diálogo com os públicos, e de construção de personas influenciadoras, gestão da imagem e da reputação e o monitoramento de sentimentos, gestão de crises e a busca por “efeitos de verdade” no espaço digital.
Referências bibliográficas
AMADEU, Sergio. Capitalismo preditivo e os sistemas algorítmicos. In: Plataformização, inteligência artificial e soberania de dados: tecnologia no Brasil 2020-2030. Orgs: Cláudio Penteado, Jerônimo Pellegrini e Sérgio Amadeu da Silveira. Editora Educativa, São Paulo, 2023.
AMADEU, Sergio. A inteligência artificial e a questão das classes sociais. In: Inteligência Artificial, sociedade e classe. Orgs: Lia Ribeiro Dias, João Francisco Cassino, Joyce Souza e Sérgio Amadeu da Silveira. Editora: Fundação Perseu Abramo e Autonomia Literária, São Paulo, 2025.
CRARY, Jonathan. 24/7: capitalismo tardio e os fins do sono: Jonathan Crary. São Paulo: Ubu Editora, 2016.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. 25. ed. São Paulo: Graal, 2012.
MARQUES, Angela; OLIVEIRA, Ivone de Lourdes. Configuration du champ de la Communication organisationnelle au Brésil: problématisation, possibilités et potentialités. Communication & Organisation, n. 48, dez. 2015.
FRASER, Nancy. Capitalismo canibal: como nosso sistema está devorando a nossa democracia, o cuidado e o planeta e o que podemos fazer a respeito disso. Trad.: Aline Scátola, Rev.: Monise Martinez. Editora Boi Tempo, São Paulo, 2024.
OLIVEIRA, Ivone de Lourdes; GENEROSO, Isaura Mourão. O campo da comunicação organizacional na atualidade: direções epistemológicas e desafios. Organicom, São Paulo, v. 21, n. 46, p. 19–28, 2024. Disponível em: https://revistas.usp.br/organicom/article/view/229197/213595. Acesso em: 2 nov. 2025.
COORDENAÇÃO DO DOSSIÊ
Isaura Mourão Generoso
Professora do Curso de Comunicação Social – Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Regionalidades da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Doutora em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas); Graduada em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Integrante dos Grupos de Pesquisa Dialorg e GCCOP. Autora do livro Comunicação Organizacional: Saber e Prática-Discursiva – Uma compreensão inspirada em Michel Foucault e coorganizadora do livro Compreendendo um campo de conhecimento: reflexões epistemológicas sobre a Comunicação Organizacional a partir de autores brasileiros. E-mail: isaura.generoso@ufv.br
Polyana Inácio
Professora da Faculdade de Comunicação e Artes da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Doutora em Comunicação e Sociabilidade Contemporânea pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas); Graduada em Comunicação Social - Relações Públicas pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Integrante dos Grupos de Pesquisa Dialorg, Bertha e RES-T. E-mail: polyana@pucminas.br